De sabão em pó a calçados, falsificações chamam atenção no Centro-Oeste de MG: 'Vida do consumidor em risco', avalia advogado
30/11/2025
(Foto: Reprodução) Advogado explica riscos e punições para crimes de falsificação de produtos
Mais de 100 mil toneladas de sabão em pó falso e cerca de 50 mil pares de calçados piratas foram apreendidos no Centro-Oeste de Minas nos últimos três anos, segundo a Receita Estadual. O balanço inclui diferentes operações realizadas na região.
A ação mais recente ocorreu na terça-feira (24), em Nova Serrana, onde foram encontradas 500 mil caixas usadas para embalar tênis falsificados. Não havia calçados no local. Segundo a Receita, cada caixa era vendida por cerca de R$ 1,20 e imitava 12 marcas internacionais, abastecendo fabricantes e distribuidores que atuam com produtos irregulares.
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O avanço desse tipo de material preocupa, segundo o advogado Matheus Castro, ouvido pela TV Integração. Ele explicou que a falsificação não se limita ao produto final, mas também às embalagens e ao uso indevido de marcas sem autorização.
“A lei prevê que, se você falsifica no todo ou em parte o produto comercializado, responde pelo crime de falsificação. Hoje os produtos já iniciam nas próprias embalagens sua forma de mostrar originalidade, então reproduzir caixas também configura falsificação”, disse.
O advogado destacou que tanto quem produz o item falso quanto quem o coloca em circulação pode responder criminalmente. A falsificação está prevista na lei de proteção de marcas, que trata de registros, licenças e propriedade industrial. As penas vão de três meses a um ano de detenção, além de multa.
Ele também explicou que, dependendo do caso, outros crimes podem ser identificados, como lavagem de dinheiro, crimes contra a ordem tributária e até organização criminosa, já que toda a cadeia de produção e distribuição pode estar envolvida.
“A partir do momento que as regras não são seguidas e são feitas falsificações, a vida do consumidor fica em risco”, afirmou.
Apreensões de calçados em outras operações
Calçados falsificados - Nova Serrana
Polícia Civil/Divulgação
No dia 11 de novembro, também em Nova Serrana, uma operação da Polícia Civil e da Receita Estadual apreendeu mais de 23 mil pares de calçados falsificados. As equipes cumpriram oito mandados de busca e apreensão e encontraram a produção em pleno funcionamento.
Além dos tênis, foram recolhidos 256 sacos de insumos — como solas, palmilhas, cabedais e matrizes de borracha — e 3.250 embalagens com identidade visual de marcas conhecidas.
No dia 20 de novembro, em Oliveira, a Polícia Militar Rodoviária (PMRv) apreendeu mais de 5 mil pares de calçados de marcas famosas na BR-494. Segundo a corporação, os produtos eram de procedência duvidosa e estavam avaliados em cerca de R$ 500 milhões.
O motorista, de 35 anos, disse que levaria a carga para São Paulo. Ele foi preso e encaminhado à Polícia Federal em Divinópolis. O material foi entregue à Receita Federal.
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Sabão em pó pirata
Entre 2023 e 2025, quatorze fábricas clandestinas de sabão em pó foram descobertas em Minas. Treze delas funcionavam no Centro-Oeste. A mais recente foi identificada em setembro, em São Gonçalo do Pará, onde 55 toneladas do produto foram apreendidas.
Os itens imitavam a embalagem do sabão em pó OMO e foram encaminhados para perícia. Na época, a Unilever, responsável pela marca, informou que acompanhava as investigações em cooperação com as autoridades.
Nova fábrica de sabão em pó falsificado - São Gonçalo do Pará
Receita Estadual/Divulgação
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